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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Tour de 1 dia no Salar Uyuni - Bate-volta a partir de La Paz.

Já disse por aqui que optamos por visitar o Salar de Uyuni num único dia devido à precariedade das acomodações. Aquela zona do país está a começar a virar-se para o turismo - é aliás a única sobre a qual já se encontram muitas referências online - mas ainda muito para um turismo bem mochileiro e de aventura. Nada de opções deluxe, nem sequer mais ou menos.

Penso que o contágio foi feito a partir do Norte do Chile, e a travessia desde o Atacama até Uyuni é um tour muito pedido, mas ao contrário de San Pedro, onde o alojamento já permite acolher todo o tipo de turistas e há imensas opções de tours de apenas um dia para fazer sempre base lá, do lado boliviano existe principalmente o tour de 1 dia que fizemos e os outros de vários dias, implicam dormir no meio do salar em locais com reviews como 'não havia água quente', as casas de banho partilhadas nem água tinham'. Vai daí, e porque a aventura mal-cheirosa não é mesmo a nossa praia... Resolvemos ficar mesmo por La Paz e fazer um bate e volta de avião até Uyuni. A companhia Boliviana de Aviación tem alguns voos diários entre La Paz e Uyuni, sem grandes complicações de check-in nem controle de bagagens - do género vou ali apanhar o autocarro e logo estou de volta - mas os aviões com ar seguro e os parafusos todos apertados, estejam descansados.
São 45 minutos de voo sobre o deserto, o avião nunca voa a muita altitude a a única coisa que se vê durante todo o trajecto são areia, terra e montanhas, com um fiozinho de estrada de vez em quando que penso tratar-se da Panamericana. Chegamos ao aeroporto de Uyuni por volta das 9h da manhã e tínhamos à nossa espera alguém da agência que havíamos contratado para fazer o tour pelo Salar. A primeira paragem do dia foi na vila de Uyuni, a nossa base, onde nos iríamos reunir com o resto do grupo e arrancar nos jipes que nos levariam ao passeio. No tempo que tivemos livre por lá deu para perceber que realmente a opção de ter ficado a dormir por lá não seria a melhor. A vila tem duas ou três ruas centrais saindo da estação dos comboios, onde se encontram cafés, lojinhas e alguns hostels com ar meio manhoso, óptima para sentar a beber um cappuccino numa esplanada ao frio mas ao sol, para comprar um gorro que estava mesmo a fazer falta e pouco mais.
Antes de entrarmos no Salar levaram-nos a uma paragem incrível, mesmo pertinho da vila, o cemitério de comboios. Em tempos várias linhas importantes de transporte de mercadorias passavam pela região que era um ponto de intersecção de muitas delas, hoje em dia a linha está quase desactivada, pelo menos grande parte dela, e muitas das máquinas ficaram abandonadas nesta zona. O cenário seria sinistro se não estivesse cheio de forasteiros como nós a tirar as fotografias mais incríveis de sempre.
Por volta das 10:30 arrancávamos para o interior do Salar. E foi assim que começou um passeio incrível, que já tiveram oportunidade de espreitar neste vídeo de estreia no Youtube.



A primeira paragem foi na pequena aldeia de Colchani, onde estivemos num mercadinho óptimo para comprar souvenirs tradicionais, e apesar de estar ali mesmo na turista ver, os preços não eram nada maus e conseguimos alguns bons negócios - negociar preços sempre, claro!
O passeio continuou Salar dentro, com algumas paragens para fotografias, mas principalmente para desfrutar da paisagem pelo caminho. Que apesar de "sempre igual" é quase hipnotizante de tão diferente e surreal em relação ao que conhecemos. Aquele chão branco e céu azul por quilómetros a perder de vista é alucinante.


A paragem principal do dia, onde a agência tinha um almoço improvisado à nossa espera (não estava nada mau, não sei se seria só da fome!) e onde tivemos tempo livre para fazer os trilhos foi na Ilha Incauhasi. Uma ilha no meu do sal onde crescem cactos enormes. É mesmo impressionante, e apesar de ser puxado subir até ao topo, comprei o bilhete que dá acesso aos trilhos e subam que o passeio é bem giro e as vistas são óptimas!

Depois de reunir o grupo partimos mais um vez para o meio do nada, rodeados pelo branco e azul, para um dos momento mais aguardados do passeio, e que vão ver em todos os cartões postais da região - as fotos malucas que brincam com a perspectiva/profundidade (ou falta dela) - para as quais os guias já vão devidamente preparados com dinossauros, latas de cerveja e todo o tipo de objectos aleatórios que possam supor. Não há limite para a imaginação de maluqueiras, e o resultado final que conseguimos foi mais ou menos este:

A paragem final já ao final da tarde, e para aproveitar para as últimas fotografias, com uma luz diferente mas igualmente interessante, foi junto ao marco de passagem do Dakar. que cruza o Salar desde que mudou para a América do Sul. Acho que as imagens dispensam muito mais detalhes, foi mesmo um dia para não esquecer.
No início da noite voltamos até à vila de Uyuni, onde o grupo dispersou e a agência levou-nos de volta ao aeroporto, onde tínhamos voo de regresso a La Paz por volta das 20:30.
Dicas finais: Apesar do sol e do céu azul tivemos calor durante cerca de uma hora depois de almoço, as extremidades do dia são bem fresquinhas, tanto que tive mesmo de comprar um gorro à chegada e arrependi-me de não ter levado mais roupa, vão vestidos por camadas, levem chapéu - porque faz sol 350 dias por ano - e protector solar. Apesar de planície com centenas de quilómetros quadrados a altitude é superior a 3000 metros, portanto vão prevenidos com soroche pills, uns rebuçadinhos de coca, bebam bastante água. Para além disso, pensem em ter convosco tudo o que vos fizer falta, provavelmente não vão conseguir comprar quase nada em lado nenhum, um pacote de bolachas e uns chocolates podem salvar vidas, no salar não há mesmo nada. Também por isso, aproveitem a dica do guia sempre que sugerir ir à casa de banho, podem não encontrar outra nos próximos 50 km :)
Agência com quem contratamos o tour:
Império Inca Turismo (imperioincaturismo@hotmail.com)
15:36 / by / 1 Comments

1 comentário:

Agnes disse...

A seguir ao Machu Picchu isto é a coisa mais brutal da tua viagem. Mesmo!

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