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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Dicas práticas sobre a Bolívia.

A Bolívia foi, sem dúvida, a maior e melhor surpresa da viagem. Entrou na equação apenas por era mesmo ali ao lado (do Perú) e acabou por ser a experiência mais genuína da região.
As expectativas iam altas para o passeio ao Salar de Uyuni, e não desiludiu, é uma Natureza tão diferente de tudo o que estamos habituados a ver que é sempre de ficar embasbacado e de queixo caído. Mas para La Paz confesso que não tinha grandes expectativas, nem boas nem más, e a surpresa não poderia ter sido melhor.
O turismo de massas ainda não chegou à Bolívia. Se em Uyuni já há uma cultura mochileira bastante forte, por arrasto e a partir do Atacama no Norte do Chile - mas numas condições bastante precárias, por isso optamos por não dormir lá - em La Paz tens a sensação que foste o primeiro forasteiro a aterrar ali.
Hospedagem
Como já disse, na zona do salar havia relatos apenas de hostels, albergues e coisas bem básicas com uns reviews que deixavam bastante a desejar. Sem condições para tomar banho de água quente, ou sequer de tomar banho, resolvemos não arriscar e passar as noites todas em La Paz.
Em La Paz, a opção de alojamento é significativamente melhor, mas não abundante. Para começar não existem hotéis de cadeias internacionais, nem o baratinho Ibis nem opções de luxo tipo Sheraton. Simplesmente não há. Apesar de tudo já se encontram algumas opções com um nível de conforto bastante aceitável.
Nós ficamos alojado no único hotel cinco estrelas 'à solta' na internet, o Camino Real Aparthotel and Suites. Posso dizer que recomendo, porque duvido que encontrem melhor, mas 5 estrelas se calhar é um grande exagero, só mesmo por lá. O atendimento do pessoal foi óptimo, em simpatia e disponibilidade. O apartamento era enorme em termos de áreas, com uma decoração um pouco datada mas com tudo o que fazia falta. A pior coisinha era mesmo o colchão, devia ser de molas, nem sei muito bem, ao deitar parecia tudo meio normal, mas era acordar no dia seguinte sem costas. Era recompensado por abrir a janela e ter uma vista imensa sobre a cidade, já que estávamos no décimo primeiro andar dum dos poucos prédios da cidade. Tinha ainda disponível serviço de ginásio e spa, que não testei, e um restaurante (supostamente dos melhores da cidade, era só normal mas ok!) onde serviam um pequeno almoço bastante completo.

Transportes
Não tivemos grandes problemas neste ponto. A cidade pareceu bem segura, nem tivemos nenhuma indicação em contrário, e andamos de táxi à vontade para todo o lado (é preciso negociar o preço mas é bem barato para padrões europeu).
Andamos até num dos machibombos que rolavam cidade abaixo, cidade acima, foi giro e o bilhete custou meia dúzia de cêntimos, uma experiência óptima, é só fazer sinal para entrar e pedir para sair onde quer que seja - mesmo! saimos num viaduto, no meio da estrada e ainda andamos a saltitar entre carros para chegar ao passeio -.
O transporte aéreo tinha um ar menos terceiro mundo, aviões com bom aspecto, terminais de aeroporto pequenos mas organizadinhos - querem levar aquela águinha para a viagem ou o frasco de protector solar que tem 250 mL, tudo bem, as restrições de líquidos ainda não chegaram aos voos domésticos naquela parte do mundo.

Passeios e tours
Organizamos o nosso passeio de dia inteiro ao Salar de Uyuni a partir de Portugal. compramos os bilhetes de avião com a Boliviana de Aviacion (BoA) e marcamos com uma agência de turismo local ir buscar-nos ao aeroporto de manhã cedo, levar-nos a fazer o tour e de volta ao aeroporto ao final do dia. Mandei dezenas de emails para agências locais e penso que apenas duas ou três me responderam, acabei por escolher a que facilitou mais o facto de nos apanhar no aeroporto e não na cidade. A companhia é a Imperio Inca Turismo e recomendaria o serviço deles. O passeio foi óptimo porque a paisagem assim o obriga, o guia/motorista simpático, o almoço estava bom, cumprimos o que estava previsto no programa, ou seja, tudo sobre rodas.
No dia e meio que estivemos em La Paz decidimos contratar um tour de meio dia, para visitar as zonas mais afastadas do centro da cidade, bem como uma das atracções mais famosas da cidade, o Valle de la Luna. O hotel tinha acordo com alguns taxistas, e por 40 dólares, o táxista andou connosco acima e abaixo quase cinco horas, parou onde quisemos, o tempo que quisemos, mostrou-nos o lado B da cidade, era simpático, conversador e sabia alguma coisa de interessante da história dos locais para contar. Foi uma boa maneira de ficar com uma ideia de toda a cidade em pouco tempo. O resto da tarde conhecemos o centro por conta própria e a pé.

Cuidados de saúde
Ainda mal vão ter posto um pé fora do avião e a primeira imagem vai ser um centro de primeiros socorros, ao que consta utilizado bastantes vezes. La Paz fica a mais de 3600 metros de altitude e o seu aeroporto, na zona mais alta de El Alto, a 4200 metros.
O ar é mesmo rarefeito. O famoso soroche - mal da altitude - pode atacar qualquer um em maior ou menor escala e à conta disso há oxigénio engarrafado em todo o lado.
O remedinho mais caseiro é a coca, ofereceram-nos um chá de coca mesmo à chegada ao hotel e havia disponível a toda a hora e em qualquer lado. Uma alternativa mais poderosa é mascar diretamente folhas de coca, mas se o chá ainda se tolera, as folhas são bastante ruins. Há rebuçadinhos em todo o lado - não têm desculpa, ahah.
Ao que parece é mesmo um dos remédios mais usados, usado há séculos para combater o problema. A alternativa mais actual são as soroche pills, uma espécie de aspirina com cafeína e mais uns pozinhos no combo poderoso.
Para evitar os sintomas o ideal é ir aclimatizando, ou seja, subir aos poucos e passar uns dias em cada uma das altitudes intermédias, coisa que nós não fizemos, foi chegar chegando directo nos 4200 metros :) de resto tentar descansar bastante nos primeiros dias, dormir bem, não fumar, evitar carnes vermelhas e álcool são as recomendações básicas. Evitar fazer esforços físicos é a recomendação óbvia, porque nem que queiram, não vão conseguir. Eu não tive falta de ar, náuseas, dor de cabeça, enjoos, nada, nenhum dos sintomas descritos, mas não podia correr 10 metros que ficava logo a arfar. Tudo aquilo que estão perfeitamente preparados fisicamente para fazer, lá não vão estar. O passeio pelo Valle de la Luna é uma meia horinha a subir e a descer calhaus, nada do outro mundo, mas mesmo com várias pausas pelo caminho no dia seguinte doíam-me os músculos das pernas - a falta de oxigénio está lá.

Alimentação
Achei a comida típica bastante semelhante à chilena e peruana, muito frango, diferentes tipos de batatas meio adocicadas, legumes, ají, arroz, empanadas e o meu favorito, a carne de llama e alpaca. Claro que a bebida nacional é também o pisco sour, nada bom para o soroche, mas enfim.
O restaurante do hotel não era nenhuma especialidade com estrelas Michelin mas li no Tripadvisor que era dos melhores da cidade, é bem verdade que pelos passeios que demos naquela zona não vi nada com melhor aspecto.
O Macdonalds ainda não chegou por lá portanto a única maneira de enfardarem fast food, que salva qualquer um num desespero alimentar, é o Burger King ou os frangos Copacabana, espalhados por toda a cidade com as melhores chicken wings que comemos na Bolívia, ahaha. Na imagem podem ver a melhor refeição que fiz por lá, nunca pior, ah?
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